Revista Fluminense de Educação Física, Dossiê: A extensão universitária como espaço de produção de conhecimento e experiência do circo, v.5, n.1, p. 01-18, 2024.
Grafismos, figuras rupestres, pinturas, esculturas, escritas registram que, historicamente, o que entendemos hoje por atividades circenses, compõem a cultura corporal da humanidade. Perpassando por milhares de anos fez das feiras, das festas, das ruas, dos becos, das praças e, mais atualmente, da lona, seus espaços de existência e resistência.
Pareado aos tempos áureos de expansão capitalista, aproximadamente a partir de 1870, o circo protagonizou a maior indústria de entretenimento do mundo: superando os deslocamentos a cavalo, embarcou no desenvolvimento tecnológico, e, ocupando milhares de vagões de trens, ultrapassavam os limites territoriais europeus. Chegado no coração do capitalismo, a partir de aproximadamente 1900, passou a dominar a cultura popular americana, reunindo sob as lonas, públicos de até 20 mil expectadores num único dia (Daniel, 2010).
Porém, com o surgimento de outras formas de ocupação do tempo livre, como rádio e televisão, já se aproximando da década de 1930, o circo vai perdendo seu espaço e entrando em crise. Com pouca perspectiva de resistência, muitas famílias encaminham seus filhos e filhas para casas de parentes, com vias a estudar e ter outras profissões. Contraditoriamente, essas famílias, que ensinavam aos seus filhos e filhas todo o trabalho de circo (armar e desarmar as lonas, fazer a praça, elaborar figurinos, vender a pipoca, protagonizar as apresentações e etc.) passaram a incorporar outras pequenas famílias, já experimentando profundamente a crise. No entanto, com o passar do tempo a necessidade de novos artistas foi sendo latente e gerando reivindicação, por parte das famílias, de políticas públicas para formação de artistas (Silva, 1996). […]
