Concerto à doidivana: a comicidade musical de Chiquinha Gonzaga e a relação com os palhaços cantores no Rio de Janeiro (1870-1920) (pdf)

GUIMARÃES, Caísa Antunes Tibúrcio. Concerto à doidivana: a comicidade musical de Chiquinha Gonzaga e a relação com os palhaços cantores no Rio de Janeiro (1870-1920). 2025. 400 f., il. Tese (Doutorado em Artes Cênicas) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.

Resumo: A presente pesquisa é uma investigação teórico-prática sobre a musicalidade cômica com foco no processo criativo em palhaçaria e na relação dos palhaços cantores com a musicalidade de Chiquinha Gonzaga. Entre o final do século XIX e o início do século XX, a figura do palhaço cantor, ator e tocador de violão teve um papel fundamental na divulgação da ‘música popular’. O maxixe, tanto como dança quanto como gênero musical, foi especialmente representativo na construção de uma identidade cultural que começava a se formar no Brasil que acabara de se transformar em República. Nesse ambiente, Chiquinha Gonzaga foi uma mulher de atitudes transgressoras e se tornou expoente desse movimento. Assim, busco as possíveis relações entre a obra de Chiquinha Gonzaga e a comicidade musical que cresceu no Brasil a partir da atuação dos palhaços cantores no circo, nas ruas, na crescente indústria fonográfica e nos teatros. Como hipótese, acredito que a contribuição musical de Chiquinha Gonzaga se deu aos modos do arquétipo trickster e se refletiu em uma comicidade musical firmada nos processos de carnavalização do país e fixada pelo maxixe; manifestação artística amplamente divulgada pelos palhaços cantores. Desse modo, a pesquisa prática consiste na criação e exploração de um aparelho musical cênico: uma bicicleta com vários instrumentos musicais. A partir da exploração de objetos sonoros, instrumentos musicais e vocalidade, investigo a criação de uma dramaturgia musical (Mota, 2008) em consonância com a comicidade dos palhaços musicais, com a musicalidade de Chiquinha Gonzaga e com referências da palhaçaria feminina contemporânea. Para tanto, conto com o pluralismo metodológico da pesquisa em arte, abarcando o registro e a análise do processo criativo, bem como a análise de documentos históricos, de partituras e composições de Chiquinha Gonzaga. Esta pesquisa se apoia nos conceitos de trickster (Hyde, 2017; Jung, 2016), nas abordagens do grotesco cômico e da carnavalização de Bakhtin (1993; 2002), na voz poética de Zumthor (1993, 1997), nas referências de palhaços musicais (Melo Filho, 2003; Silva; Melo Filho, 2014); no teatro musicado (Mencareli, 1996; 2003 Vermes 2011, 2016); na cultura de entretenimento ‘popular’ (Abreu, 2003; 2017; Marzano, 2008); nos estudos contemporâneos de palhaçaria feminina de Karla Cordeiro – Karla Concá –,na musicalidade e no pioneirismo da maestrina Chiquinha Gonzaga (Diniz, 2009) e nos estudos feministas (Rango 1998; Hutcheon,1991, 1985, 2013).

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