ALMEIDA, Maria Aparecida Ferreira de. Da ostheografia de uma artista professora à ostheopedagogia: estudo de um caminho ancestral afrorreferenciado para a criação de processos com as máscaras no ensino-aprendizagem em arte-educação. Orientadora: Carminda Mendes André. 2025. 312 f. Tese (Doutorado em Artes) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Artes, São Paulo, 2025.
Resumo: A pesquisa Da Ostheografia de uma artista professora à Ostheopedagogia – Estudo de um caminho ancestral afrorreferenciado para a criação de processos com as Máscaras no ensino aprendizagem em arte educação conta, reflete e registra o uso metodológico das Máscaras oriundas de processos criativos por vários anos experienciados no chão de salas de aula e ensaio que acabam por fundar uma metodologia para a formação de artistas e arte educadores com a utilização das máscaras: registro de um longo período que vai da formulação de processos metodológicos de ensino-aprendizagem por meio das máscaras, ao descolamento das teorias e práticas europeias de formação. Esta é uma proposta de prática artístico-pedagógica descolonial que se apoia nos conceitos de memória, presença, devir, pertencimento e ancestralidade atrelados ao uso das máscaras da Infância, Máscara do Nariz Vermelho, Anciã e a Ancestral, na busca dos saberes ancestrais apagados, dissipados e que se encontram fragmentados e ocultos à nossa percepção imediata, turva pela estrutura colonialista e escravagista, mas que se manifesta na arte popular, na sua capacidade de subverter regras que lhe são impostas como verdade única e absoluta; tanto para quem a realiza, quanto para quem interage como público. Esta capacidade de revelação e transgressão vem apoiada na riqueza epistêmica Quilombola. Uma escrita narrativa, episódica, inspirada e sustentada nos conceitos de escrevivência e oralitura – ora ensaística, ora prosaica, ora poética, ora dialogada – apontando e enfatizando para o descolar-se da autora de uma formação hegemônica eurocêntrica recebida. Volta-se para os saberes que resistem à violência colonial em prol da defesa ao pertencimento e da autonomia de criação. Tem como pretensão oferecer o depoimento de uma herança cultural, artística e filosófica para o desenvolvimento de uma qualidade de professor artista ou artista/professor para a re-construção, e constatação, de saberes acerca do coletivo como poder emancipatório e libertador oriundos da educação e cultura popular. Traçando paralelos e reconhecendo a importância dos saberes populares do circo, do teatro de rua, das danças, cantos e cantigas populares e da Arte Palhacesca, para qualificar a importância de um saber encarnado. O osso, como lugar de registro, estrutura, base do que fomos e somos em passagem, dicotomicamente, cúmplice e sustentação de nossa impermanência.
