SOMME, Maria Isabel. A arte como fomentadora do desenvolvimento socioeducativo e cultural: um estudo com adolescentes em Mogi Mirim – SP. 146 f. Dissertação (mestrado). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Biociência de Rio Claro, 2015.
Resumo: Os espaços educativos nascem ocupando uma função social, abrigam expectativas acerca do desenvolvimento humano e estendem-se para além dos muros das escolas. Nessa perspectiva a educação é percebida como um processo que acontece ao longo da existência, que se tece nas relações sociais e culturais, portanto, praças, ruas, espaços diversos da comunidade podem favorecer experiências formativas e transformadoras. O presente estudo compõe uma pesquisa realizada com adolescentes na Instituição de Incentivo à criança e ao adolescente – (ICA) de Mogi Mirim – SP – e tem como objetivo identificar a importância das vivências com a arte como linguagem e ‘lugar’ para o reconhecimento de si e do outro. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa na perspectiva histórico-cultural, que utilizou como método a observação e análise dos relatos produzidos pelos adolescentes no ambiente da pesquisa que foi realizada durante o segundo semestre de 2013 e início de 2014. A relação dos adolescentes com a arte é abordada com maior enfoque na linguagem do circo e as discussões teóricas foram realizadas a partir de autores como Dewey, Freire, Gombrich, Guyau, Larrosa, Morin e Vigotski, dentre outros. A proposta teórica desse trabalho é refletir sobre a relevância das experiências dos adolescentes com a arte para a construção e apropriação de novos saberes sociais e culturais. A experiência com a arte possibilita tocar o ‘intocado’ de cada ser e manifesta uma dinâmica viva, que acontece por meio do acervo das brincadeiras e dos jogos, movimentando o mundo interno para o domínio das ações com liberdade, que incorpora o reconhecimento das habilidades e potencialidades tanto das capacidades intelectuais quanto sensíveis, ou seja, dotadas de razão e sensibilidade. Essa força invisível contagia, atua e interfere de forma positiva nas relações e situações, permeando emoções, sentimentos e ideias, nas quais a responsabilidade de mover-se no mundo acontece e se tece.
